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quinta-feira, 26 de junho de 2014


Não Kahlo!
Não Kahlo porque não posso
Não Kahlo porque não deixam
Não Kahlo porque alguém berra
ou sussurra dentro de mim
Não Cale!
 
Não Kahlo porque Maria
Não Kahlo porque Josefina
Não Kahlo porque Carolina
Gritam dentro de mim
Não Cale!

E eu grito grito até ficar rouca
até ficar louca
E não Kahlo
E ás vezes desisto e
me acho pouca 
e me acho louca
Mas depois eu volto e

Não Kahlo

às vezes escrevo assim sem sentido
Mas tenho comigo 
um turbilhão de emoções
Não rima com nada 
Não ama ninguém
Não muda o mundo
Mas não fica mudo
e não Kahla

Ninguém vai ler
Ninguém vai seguir
Nem se perder
nem decidir
Não tem contexto
Nem nexo 
Nem reza
Nem receita
é só pressa 
E brisa
E vontade de gritar
Não Kahlo!


Não tem começo 
Nem vai ter fim
E se está aqui
Esperando findar
Sinto dizer 
Mas não vai rolar
Não Kahlo 

Não vou calar. 

 




quinta-feira, 15 de maio de 2014



Vamos sorrir pra copa
Vem que tá tudo lindo!
Aqui não se mata inocente
Pra PM é tudo bandido

Vamos sorrir pra FIFA
Na nação verde e amarela
Esquece a polícia fascista
Matando o povo na favela

Quem é mesmo o Amarildo?
Jogador de futebol?
Ou será que é o menino
Da esmola no farol?

Ou talvez se chame Jonathan,
Já não me lembro bem.
O foda é que por hora
Já se foram mais de 100.

E de Cláudia a Fabiane
A gente vai gritando Gol
Pra cada corpo uma desculpa
Ou só um “Foi mal fessor”

Vem meu gringo lindo
Vem pagar pela minha bunda
Que já cê já fode o ano inteiro
Vem que a copa ta linda
E ta chovendo dinheiro

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Charge Latuff


 GO ! GOL !

ê Brasil, mais uma desgraça. Um negro na praça.
O Brasil comemora e grita Gol. GO!
O São Paulo perdeu, o São Pedro chorou, o São Judas pregou
GO! GOL !

-Não vai ter COPA!
-Não vai ter COTA!
O gringo tá vindo GO! GOL ! 
 

Esconde esse negro
 no camburão
Ou faça uma arte
Põe ele na rua
E tira uma foto 
pra exposição

O gringo tá vindo GO! GOL !
 
 Pinta esse pobre
de verde amarelo
esconde o vermelho
que escorre no chão
esconde a pobreza
mostra a sua bunda
deixa de lado
 a podridão 

O Negro na rua
A garota nua
A cerveja na mão
O negro ali
Nu na calçada
Deixando bem claro
A escravidão
E galera comemora 
Pega ladrão!
Mata!
estupra !
explora !
E o Brasil comemora 
HEXACAMPEÃO !

GO! GOL !

 



 

 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014


Lâmina Negra


Todos os dias são iguais. Dou sinal. Abro o canivete . Desço do ônibus. Atravesso a rua olhando pros lados. . Acelero o passo. Corro dos carros. Cheguei em casa! Ufa ! Não precisei usá-lo.
Hoje o metrô que fica há 20 metros do meu trabalho estava inoperante, tive que andar uns 15 minutos até a outra linha. E lá vamos nós... escolher a calçada mais segura. Olhar pra trás, direita, esquerda em frente e repetir. Passos rápidos, sentidos atentos. Desci as escadarias vazias da São Bento segurando com toda força o canivete nas mãos. Me deu vontade de segurar a lâmina e apertar com aquela mesma força até sangrar e sair de mim toda essa dor. Sem diminuir o passo. Sem diminuir a força, chorei. Chorei por mim e por todas as mulheres que tem que viver em constante estado de pânico. Chorei por essa sociedade Machista ,violenta, nojenta que nos priva da liberdade. Chorei por não poder sair na rua um dia sequer sem carregar comigo o medo. Chorei por todas as garotas mortas, violentas estupradas, amarradas e humilhadas por essa sociedade machista nojenta misógina. Chorei por cada filha, cada mãe e cada irmã que sofre a vida inteira e morre a cada segundo simplesmente pelo fato de ter nascido mulher. Chorei pelo absurdo de não podermos escolher com quem podemos ter nossas relações . Chorei por saber que não podemos escolher nossas roupas, nosso sexo, nosso nome, os lugares que frequentamos e nem a pessoa ou as pessoas a quem amamos. E principalmente chorei por saber que além de mim tantas outras mulheres no mundo são obrigadas a conviver todo dia com medo. A sairem armadas ou amedrontadas pra rua e não conseguem simplesmente viver uma vida normal e fazer suas próprias escolhas. E que isso tudo está bem longe de acabar e que talvez pelo menos três gerações minhas ainda vão passar por isso. Ou quem sabe todas... e saber que se tudo isso acontece a culpa é absolutamente nossa, pois a sociedade ainda teima em culpar a vítima, mesmo sendo uma, e achar que tudo isso é normal.
Eu não vou me conformar enquanto ainda houver mulheres que morrem a todo segundo em cada canto do mundo vítimas do machismo.
"O problema não está em ver machismo em tudo, o problema está em não ver"



Natasha Fernandes

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Como o Feminismo maltrata os homens

Texto de Micah J. Murray. Tradução de Daniela Vieira Palazzo. Revisão de Alice Porto e Gonçalo Cholant. Publicado originalmente com o título: How Feminism Hurts Men no site Redemption 
Ontem, alguém me disse no Facebook que o Feminismo valoriza mulheres às custas dos homens e que, para tal, nos castra.
Ele estava certo.
Para os homens, o advento do Feminismo nos colocou no status de classe secundária. Desigualdade e discriminação se tornaram parte do nosso dia-a-dia.
Por causa do Feminismo, homens não podem mais andar nas ruas sem medo de serem assediados, perseguidos e até abusados sexualmente por mulheres. Quando um homem é agredido, ele é responsabilizado – pelo jeito como se vestiu, estava “pedindo por isso”.
Por causa do Feminismo, não existem mais grandes conferências cristãs sobre como um varão deve agir, onde milhares de homens podem celebrar Jesus e sua masculinidade (e talvez zombar de estereótipos femininos).
Por causa do Feminismo, os púlpitos das igrejas e holofotes são muitas vezes voltados para mulheres. Os homens são encorajados a apenas trabalhar no berçário ou na cozinha. Às vezes dizem aos homens que se mantenham em silêncio na igreja.
Por causa do Feminismo, as mulheres ganham mais dinheiro do que os homens nos mesmos empregos.
Por causa do Feminismo, é difícil encontrar filmes com um protagonista/herói masculino hoje em dia. A maioria dos filmes blockbusters apresenta uma mulher corajosa que salva o mundo e fica com um belo homem como troféu, em recompensa aos seus feitos.
Por causa do Feminismo, o esporte profissional feminino é um negócio imensamente lucrativo, onde mulheres são globalmente idolatradas. Os homens só aparecem brevemente, nos intervalos comerciais, onde seus corpos são tidos/vistos como objetos.
Por causa do Feminismo, todo o controle de natalidade é provido por e para as mulheres, sem questionamentos ou debate, enquanto os homens têm de lutar para conseguir que as companhias de seguros paguem por suas prescrições de Viagra. Quando os homens falam a esse respeito, líderes conservadores de direita, favoráveis aos valores da família tradicional, os rotulam de “vagabundos” e “putos”.
Por causa do Feminismo, o corpo masculino está constantemente sob o escrutínio público. Se um homem aparece de topless na TV é um escândalo nacional, resultando em enormes multas e boicotes. Blogueiras escrevem regularmente sobre como precisamos ser mais conscientes ao escolher nossas roupas para evitar seduzir mulheres para o pecado. Humoristas insistem que bermudas “não são realmente calças” e, portanto, os homens devem cobrir-se porque “ninguém quer ver isso.”
Por causa do Feminismo, os homens não possuem representatividade na Casa Branca e as mulheres ocupam mais de 80% dos assentos no Congresso. Quando um homem vai para o escritório, sua aparência física e escolhas de vestuário são discutidas quase tanto quanto suas políticas e ideias.
Por causa do Feminismo, os homens devem lutar por uma voz na esfera pública. Em questões de teologia, política, ciência e filosofia, a perspectiva feminina é muitas vezes considerada padrão, normal, e imparcial. Perspectivas masculinas são negadas por serem muito subjetivas ou muito emocionais. Quando falamos, nós, muitas vezes, somos rotulados como irritados, rebeldes, subversivos ou perigosos.
Mas sejam fortes, caras.
Um dia seremos iguais.
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Faça o que fizer, não leia ‘Jesus feminista’. Está cheio de ideias que vão continuar a oprimir e prejudicar os homens – ideias como “as mulheres são pessoas também” e “a dignidade e os direitos das mulheres são tão importantes quanto os dos homens”.
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Daniela Vieira Palazzo tem 32 anos, é gaúcha de Pelotas, professora universitária em transição e mestranda em Linguistica Aplicada. É feminista e pesquisa na linha dos estudos de gênero e da Análise Critica do Discurso (ACD) — especialmente acerca de corpo/corporiedade e moda.
Micah J. Murray é escritor, diretor criativo e gerente de mídias sociais. Escreve no blogRedemptionPictures.com sobre igreja, fé, política e família.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Feminismo Poético

É uma página linda do Facebook, onde essa ,Grazi, enche meu dia de amor e poesia feminista.
Consegue colocar todos os encontros e desencontros da nossa alma, falando do amor e desamor, do sabor e des-sabor nessa sociedade machista que interfere nas nossas escolhas nos nossos desejos e na nossa forma de amar.
Grata pela arte!