quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Lâmina Negra
Todos os dias são iguais. Dou sinal. Abro o canivete . Desço do ônibus. Atravesso a rua olhando pros lados. . Acelero o passo. Corro dos carros. Cheguei em casa! Ufa ! Não precisei usá-lo.
Hoje o metrô que fica há 20 metros do meu trabalho estava inoperante, tive que andar uns 15 minutos até a outra linha. E lá vamos nós... escolher a calçada mais segura. Olhar pra trás, direita, esquerda em frente e repetir. Passos rápidos, sentidos atentos. Desci as escadarias vazias da São Bento segurando com toda força o canivete nas mãos. Me deu vontade de segurar a lâmina e apertar com aquela mesma força até sangrar e sair de mim toda essa dor. Sem diminuir o passo. Sem diminuir a força, chorei. Chorei por mim e por todas as mulheres que tem que viver em constante estado de pânico. Chorei por essa sociedade Machista ,violenta, nojenta que nos priva da liberdade. Chorei por não poder sair na rua um dia sequer sem carregar comigo o medo. Chorei por todas as garotas mortas, violentas estupradas, amarradas e humilhadas por essa sociedade machista nojenta misógina. Chorei por cada filha, cada mãe e cada irmã que sofre a vida inteira e morre a cada segundo simplesmente pelo fato de ter nascido mulher. Chorei pelo absurdo de não podermos escolher com quem podemos ter nossas relações . Chorei por saber que não podemos escolher nossas roupas, nosso sexo, nosso nome, os lugares que frequentamos e nem a pessoa ou as pessoas a quem amamos. E principalmente chorei por saber que além de mim tantas outras mulheres no mundo são obrigadas a conviver todo dia com medo. A sairem armadas ou amedrontadas pra rua e não conseguem simplesmente viver uma vida normal e fazer suas próprias escolhas. E que isso tudo está bem longe de acabar e que talvez pelo menos três gerações minhas ainda vão passar por isso. Ou quem sabe todas... e saber que se tudo isso acontece a culpa é absolutamente nossa, pois a sociedade ainda teima em culpar a vítima, mesmo sendo uma, e achar que tudo isso é normal.
Eu não vou me conformar enquanto ainda houver mulheres que morrem a todo segundo em cada canto do mundo vítimas do machismo.
"O problema não está em ver machismo em tudo, o problema está em não ver"
Natasha Fernandes
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Como o Feminismo maltrata os homens
Texto de Micah J. Murray. Tradução de Daniela Vieira Palazzo. Revisão de Alice Porto e Gonçalo Cholant. Publicado originalmente com o título: How Feminism Hurts Men no site Redemption
Ontem, alguém me disse no Facebook que o Feminismo valoriza mulheres às custas dos homens e que, para tal, nos castra.
Ele estava certo.
Para os homens, o advento do Feminismo nos colocou no status de classe secundária. Desigualdade e discriminação se tornaram parte do nosso dia-a-dia.
Por causa do Feminismo, homens não podem mais andar nas ruas sem medo de serem assediados, perseguidos e até abusados sexualmente por mulheres. Quando um homem é agredido, ele é responsabilizado – pelo jeito como se vestiu, estava “pedindo por isso”.
Por causa do Feminismo, não existem mais grandes conferências cristãs sobre como um varão deve agir, onde milhares de homens podem celebrar Jesus e sua masculinidade (e talvez zombar de estereótipos femininos).
Por causa do Feminismo, os púlpitos das igrejas e holofotes são muitas vezes voltados para mulheres. Os homens são encorajados a apenas trabalhar no berçário ou na cozinha. Às vezes dizem aos homens que se mantenham em silêncio na igreja.
Por causa do Feminismo, as mulheres ganham mais dinheiro do que os homens nos mesmos empregos.
Por causa do Feminismo, é difícil encontrar filmes com um protagonista/herói masculino hoje em dia. A maioria dos filmes blockbusters apresenta uma mulher corajosa que salva o mundo e fica com um belo homem como troféu, em recompensa aos seus feitos.
Por causa do Feminismo, o esporte profissional feminino é um negócio imensamente lucrativo, onde mulheres são globalmente idolatradas. Os homens só aparecem brevemente, nos intervalos comerciais, onde seus corpos são tidos/vistos como objetos.
Por causa do Feminismo, todo o controle de natalidade é provido por e para as mulheres, sem questionamentos ou debate, enquanto os homens têm de lutar para conseguir que as companhias de seguros paguem por suas prescrições de Viagra. Quando os homens falam a esse respeito, líderes conservadores de direita, favoráveis aos valores da família tradicional, os rotulam de “vagabundos” e “putos”.
Por causa do Feminismo, o corpo masculino está constantemente sob o escrutínio público. Se um homem aparece de topless na TV é um escândalo nacional, resultando em enormes multas e boicotes. Blogueiras escrevem regularmente sobre como precisamos ser mais conscientes ao escolher nossas roupas para evitar seduzir mulheres para o pecado. Humoristas insistem que bermudas “não são realmente calças” e, portanto, os homens devem cobrir-se porque “ninguém quer ver isso.”
Por causa do Feminismo, os homens não possuem representatividade na Casa Branca e as mulheres ocupam mais de 80% dos assentos no Congresso. Quando um homem vai para o escritório, sua aparência física e escolhas de vestuário são discutidas quase tanto quanto suas políticas e ideias.
Por causa do Feminismo, os homens devem lutar por uma voz na esfera pública. Em questões de teologia, política, ciência e filosofia, a perspectiva feminina é muitas vezes considerada padrão, normal, e imparcial. Perspectivas masculinas são negadas por serem muito subjetivas ou muito emocionais. Quando falamos, nós, muitas vezes, somos rotulados como irritados, rebeldes, subversivos ou perigosos.
Mas sejam fortes, caras.
Um dia seremos iguais.
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Faça o que fizer, não leia ‘Jesus feminista’. Está cheio de ideias que vão continuar a oprimir e prejudicar os homens – ideias como “as mulheres são pessoas também” e “a dignidade e os direitos das mulheres são tão importantes quanto os dos homens”.
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Daniela Vieira Palazzo tem 32 anos, é gaúcha de Pelotas, professora universitária em transição e mestranda em Linguistica Aplicada. É feminista e pesquisa na linha dos estudos de gênero e da Análise Critica do Discurso (ACD) — especialmente acerca de corpo/corporiedade e moda.
Micah J. Murray é escritor, diretor criativo e gerente de mídias sociais. Escreve no blogRedemptionPictures.com sobre igreja, fé, política e família.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Feminismo Poético
É uma página linda do Facebook, onde essa ,Grazi, enche meu dia de amor e poesia feminista.Consegue colocar todos os encontros e desencontros da nossa alma, falando do amor e desamor, do sabor e des-sabor nessa sociedade machista que interfere nas nossas escolhas nos nossos desejos e na nossa forma de amar.
Grata pela arte!
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
"SENDO SANTA OU SENDO PUTA... SÓ COMO SE ELA QUISER "
Hoje estou passando aqui para dar um apoio a Marcha das Vadias.
Há muitas críticas quanto ao nome da marcha e muitas vezes quando manifestei
meu apoio à marcha ouvi frases como “Ah então você é vadia NE? Sabia que vadia
e puta são a mesma coisa?” “Se vocês mesmo estão se chamando de vadias, não
merecem respeito nenhum.” “Acho desnecessário sair tirando a roupa na rua,
vocês tem que lutar por alguma coisa decente, não pelo direito de ficar pelada,
de andar que nem puta.” E a minha resposta é a seguinte, merecemos respeito SIM!
A marcha é importante SIM! E o direito não é de ficarmos peladas, é de sermos donas
do nosso próprio corpo!
O número de estupro vem crescendo cada vez mais no Brasil,
só em São Paulo e Rio de Janeiro o índice de registros aumentou 25% até 2010,
nesses casos 50,5%, as vítimas do crime conheciam os
acusados (companheiros, ex-companheiros, pais, padrastos, parentes e
conhecidos), 29,7% tinham relação de parentesco com a vítima (pais, padrastos,
parentes) e 10,0% eram companheiros ou ex-companheiros.
E o que é pior temos
milhares de casos que não são registrados, e casos onde a vítima e o agressor
não consideram como estupro. Esses casos são principalmente identificados com
companheiros e ex-companheiros, porque as pessoas ainda pensam que a mulher tem
como obrigação “servir” o marido mesmo contra a sua vontade. E com mulheres “LIVRES”
ouvimos várias frases como “ela estava bêbada, se propôs a isso, “Seu de bêbado
não tem dono” “Ela estava se exibindo, ficou a sós com ele, a roupa estava
curta”, mas o fato é o seguinte: NÃO, É NÃO!
Mas será possível que
o fato de uma mulher estar de shorts curte dá o direito de todos os homens
estuprá-la? Isso torna o agressor uma vítima?
Se uma mulher exercita a profissão de prostituta ela é obrigada a
transar com todo mundo? Ela cobra por isso. E se for assim o padeiro tem que
dar pão de graça pra todo mundo, porque ele faz pão pra isso mesmo, ele não
precisa receber não tem conta pra pagar...
Então quando formos à
praia teremos que ir armadas porque os homens todos vão sair correndo
loucamente atrás de nós, e nós seremos obrigadas a satisfazê-los, porque afinal
estávamos lá pra isso.
E muita gente falando
que com 14 anos a criança já tem maldade. E porque não conta pra mãe? E por que
não chama a Polícia? – Porque algumas pessoas preferem fingir que nada
aconteceu e porque muitas vezes a vítima é questionada como se fosse ela quem
gerou toda aquela situação.
As mulheres precisam
SABER que elas foram agredidas e que a culpa não é delas, como muitas pessoas
dizem, e os estupradores precisam saber que são agressores, que não há nada de
natural naquilo, que eles precisam de tratamento e que as mulheres não estão
ali para servi-los e não são propriedades sexuais deles,
Se ser VADIA é ser
LIVRE, então eu sou VADIA e eu dou pra quem EU quiser!
Isso não é um convite : http://www.facebook.com/pages/Isso-n%C3%A3o-%C3%A9-um-convite/538358892862907
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